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‘Toda vez que uma mulher com deficiência faz sucesso, tem outras se inspirando nela’, afirma empresária que defende o trabalho como forma de inclusão

Foi uma história difícil com final feliz que levou Carolina Ignarra a empreender. Depois de sofrer um acidente de moto e ficar paraplégica, ela voltou ao trabalho, foi valorizada e percebeu que precisava ajudar outras pessoas.

O acidente aconteceu em 2001, quando ela era recém-formada em educação física e trabalhava em uma empresa de saúde corporativa.

Continuar trabalhando depois de passar a usar cadeira de rodas mudou a vida de Carolina. E ela quis mudar a vida de outras pessoas também.

Desse desejo nasceu, em 2008, a Talento Incluir, consultoria especializada na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

A empresa é fruto da sociedade de Carolina com mais dois sócios: sua melhor amiga, Juliana Ramalho, e Dulcídio Almeida, pai de Juliana.

“Toda vez que uma mulher com deficiência faz sucesso, tem outras se inspirando nela”, afirma.

O começo de tudo

Depois do acidente, por causa da lei de cotas, que garante emprego às pessoas com deficiência física, auditiva, visual, mental e múltipla, muitas empresas começaram a procurar Carolina com propostas de trabalho.

“Recebia ofertas para ser telefonista, secretária. Ótimas oportunidades, mas muito descoladas do meu perfil. Percebi que as empresas estavam preocupadas em contratar deficiências e não profissionais com alguma deficiência”.

Ao contrário do que via lá fora, na empresa que trabalhava, ela se sentia muito valorizada.

“Na época do acidente, minha gestora olhou o que eu sabia fazer, o que eu tinha interesse em desenvolver e foi me dando desafios conectados comigo, com meu desejo profissional”, lembra.

Para a empresária, esse foi o segredo do sucesso: “Minha chefe olhou para a Carol. Ela nunca olhou minha deficiência como valor”.

Carolina sabia que o mundo corporativo precisava enxergar essas potencialidades em todas as pessoas com deficiência. Dentro da empresa que trabalhava, começou a tocar esse projeto paralelamente. Foram cinco anos até abrir, de fato, sua própria empresa.

Hoje, a Talento Incluir já proporcionou emprego para mais de 5,5 mil pessoas com deficiência e ofereceu treinamento para tornar 280 empresas mais inclusivas.

Superação e inclusão

A empresária acredita na inclusão como um processo de troca: “O empregador oferece a oportunidade, a pessoa entrega o seu talento e assim todos ganham. Sou a favor da inclusão produtiva”, afirma.

“O trabalho foi o caminho para eu reingressar na sociedade, me ajudou muito na minha superação”.

Carolina ressalta a importância de usar a sua história para inspirar outras empresas a cumprirem as cotas exigidas de forma produtiva.

“No meu caso, a deficiência é a favor do meu negócio. E o fato de eu ser mulher também. Pelo negócio que eu ofereço, ser mulher é uma vantagem competitiva”.

Nem por isso, a empreendedora deixa de ter alguns obstáculos.

“Algumas vezes, me sinto calada e não escutada só por ser mulher. Hoje muito menos, ainda bem”.

Mulheres unidas

A Talento Incluir enfrentou a crise causada pela pandemia da Covid-19 e cresceu em faturamento neste período.

“Crescemos durante a pandemia porque tínhamos mulheres fortes ao nosso lado”.

Quando a crise chegou, a empresa de Carolina fazia parte de uma iniciativa da consultoria EY chamada Entrepreneurial Winning Women. O projeto seleciona negócios geridos por mulheres e oferece mentoria com executivas voluntárias.

Uma vez por semana, Carolina e a sócia Juliana se reuniam com essas mentoras, que auxiliaram no processo de adaptação.

“A agilidade em tomar decisões foi fundamental. Nós mulheres somos muito rápidas”.

Conselho para quem quer empreender

A empreendedora social ressalta a importância da deficiência não ser uma limitação.

“Tenha orgulho de você, vá forte naquilo que você é boa, tenta mostrar com mais evidência aquilo que você tem de talento”.

Para Carolina, equilibrar vida pessoal e profissional também é essencial.

“O negócio é muito importante, mas não é tudo. Trabalha para cuidar de você, seguindo seu papel de mãe, de filha, de esposa, outros papéis de mulher que a gente tem na sociedade”.

Fonte: G1

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