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São Vendelino lidera ranking nacional sobre igualdade social

É em uma cidade de 2,5 mil habitantes, a maioria descendente de imigrantes alemães, que a desigualdade social está menos presente em todo o território brasileiro. O apontamento que coloca São Vendelino, no Vale do Caí, em posição de destaque nacional é do Índice Brasileiro de Privação (IBP), novo estudo desenvolvido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade de Glasgow, na Escócia. 

O levantamento utilizou dados do Censo de 2010 para analisar questões como educação, renda e condições de moradia e identificar situações de desigualdade entre pequenas áreas de um mesmo município, como bairros.  As informações de todas as cidades foram disponibilizadas nesta quinta-feira (10) em um painel do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (Cidacs), órgão ligado à Fiocruz.

Mesmo antes de conhecer os dados específicos que alçaram a cidade à condição de mais igualitária do país, o prefeito de São Vendelino, Evandro Luís Schneider, já atribuía o título ao investimento constante em ensino. Além de manter uma escola municipal, duas de Educação Infantil e auxiliar a escola estadual, o município também mantém um centro de educação no contraturno escolar, atendendo 90 alunos de até 11 anos, das redes municipal e estadual, com atividades complementares, oficinas de, canto, orquestra e capoeira. Todos ganham transporte e alimentação para frequentar o chamado Centrinho.

— Ainda conseguimos atender todo mundo e com qualidade. Tudo vem sendo construído ao longo de 32 anos de história buscando um crescimento ordenado, sempre baseado em educação — afirma o prefeito. 

O investimento não se restringe à educação básica, com a intenção de buscar o desenvolvimento econômico sustentado da cidade. Desde 2017, a prefeitura paga 100% do transporte universitário, hoje utilizado por 120 alunos que compõem uma associação estudantil do município. Através dela, prestam serviços comunitários nas escolas, festas de igrejas e outros eventos em forma de contrapartida pelo transporte. A ideia é que os jovens sintam-se motivados a permanecer no município. 


Oportunidade para todos

Para garantir empregos e diversificar a matriz econômica do município, a prefeitura tem buscado atrair empresas para o município situado às margens da RS-122, no meio do caminho entre Caxias do Sul e Porto Alegre. Com um projeto que envolve doação de área e material de construção, além de apoio na terraplanagem e na instalação da rede elétrica, São Vendelino já conseguiu atrair duas empresas de Caxias, uma fábrica de autopeças e uma indústria plástica, gerando cerca de 60 empregos. A ideia é atrair outras nove empresas em um período de até dez anos.

— Tem que ir aos poucos para não faltar mão de obra e para ir intercalando os incentivos para aqueles que já estão aqui — justifica Schneider, que comemora não só a geração de emprego como o aumento de arrecadação. O orçamento do município passou de R$ 19,5 milhões neste ano para R$ 22 milhões em 2021.

Entre aqueles que já estão instalados em São Vendelino, a maior parte trabalha na agricultura, que responde por 75% da arrecadação do município. Para eles, a prefeitura fornece mudas, sementes, adubos e fertilizantes a preços subsidiados. 

Para garantir o crescimento equilibrado, sem depender de um único setor econômico, o prefeito afirma que ainda seria necessário desenvolver mais o turismo e o comércio. A parte do município parece estar sendo feita, com uma cidade arborizada, florida, com praças, parques e prédios históricos preservados.

— Nós não temos uma classe baixa. É igualitário. Se usufrui de tudo, todos têm as mesmas oportunidades. Todos conseguem encontrar um espaço para se identificar, de grupos de dança alemã ao CTG, na igreja católica ou evangélica. O que dá para melhorar é motivar mais as pessoas a investir aqui, empreender e não se acomodar. Aí entra o turismo. Temos um caminho estruturado. Se conseguirmos seguir, vai funcionar — projeta o prefeito, orgulhoso da cidade autointitulada “O pequeno paraíso”.

Vida tranquila atraiu casal de Feliz

Para garantir atendimento de saúde, São Vendelino mantém um posto de saúde, onde três médicos atendem diariamente das 7h às 21h. No mesmo prédio, se consolida um centro médico de especialidades, um investimento da prefeitura para reduzir a “ambulância terapia”, prática comum em municípios menores que levam pacientes para serem atendidos em cidades maiores. Para procedimentos de maior complexidade, mantém convênios com hospitais de Bom Princípio e de Farroupilha e um contrato com os Bombeiros Voluntários da cidade para o serviço de ambulância dentro e fora do município.

Em abril, o agricultor Giovani Teixeira Martini, 54 anos, utilizou a estrutura quando precisou de uma cirurgia ortopédica, e admira-se por não ter gastado nem mesmo com gasolina para o deslocamento. Há cinco anos, ele e a esposa Adriane Teixeira Martini, 47, trocaram a cidade vizinha de Feliz por São Vendelino e, apesar de vir de um lugar onde a qualidade de vida já era alta, garantem que a diferença é nítida. O casal mantém um quiosque na área central da cidade, em frente à casa sem portão, onde vende a produção semi-hidropônica de morangos e tomates. Do balcão do quiosque, nada é retirado durante a noite, e nunca houve qualquer tipo de furto.

— Tem uma diferença enorme, aqui a vida tem bem mais qualidade e é muito mais tranquila — garante Adriane.

 Os números de São Vendelino, segundo o IBP

  • Índice de privação: 1,76 
  • Status de privação: muito baixo
  • Renda (pessoas com renda per capita abaixo de meio salário mínimo): 4,1%
  • Escolaridade (pessoas analfabetas com mais de sete anos): 1,1%
  • Condições de domicílio (população em casas inapropriadas): 2,1%

TOP 10: o ranking nacional liderado por São Vendelino

  • 1ª – São Vendelino (RS)
  • 2ª – Westfália (RS)
  • 3ª – São Caetano do Sul (SP)
  • 4ª – Balneário Camboriú (SC)
  • 5ª – Águas de São Pedro (SP)
  • 6ª – Dois Irmãos (RS)
  • 7ª – Tupandi (RS)
  • 8ª – São José do Hortêncio (RS)
  • 9ª – Pomerode (SC)
  • 10ª – Blumenau (SC)

Da região: A posição das principais cidades da Serra no novo ranking de desigualdade social

  • Bento Gonçalves: 15º
  • Caxias do Sul: 27º 
  • Veranópolis: 28º
  • Carlos Barbosa: 31º
  • Farroupilha: 45º
  • Gramado: 46º
  • São Marcos: 98º
  • Flores da Cunha: 120º
  • Canela: 304°
  • Vacaria: 441º 

Fonte: GaúchaZH

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