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Sem visitas presenciais, ONG Doutorzinhos se reinventa com chamadas de vídeo em hospitais

Com um tomate na mão, sorrindo para a câmera do celular, a palhaça Miloca convida a pequena Valentina para brincar de adivinhação. Assim que a menina aceita, a doutora Bem-Te-Vi entra na conversa exibindo uma banana.

– Gosto muito quando elas vêm. Ainda mais quando sei responder às perguntas. É minha parte preferida – diz Valentina de Bitencourt Zanini, sete anos, desde os cinco fazendo quimioterapia para tratar um neuroblastoma no abdômen.

– Lá vai, hein? Muita atenção – avisa Miloca, para depois indagar: – O que que a banana falou para o tomate?

Valentina acerta na mosca! (Mais adiante, daremos a resposta.) Assim tem sido a rotina dos voluntários da ONG Doutorzinhos: desde o início da pandemia, eles visitam hospitais dentro das próprias casas, por meio de videochamadas.

Ontem pela manhã, a professora de Educação Artística Marilia Schmitt Fernandes, 58 anos, a Miloca, estava em Canoas. Já a biomédica Francele Piazza, 34, a Bem-Te-Vi, gargalhava na Cidade Baixa. Valentina, por sua vez, se divertia com a dupla no Hospital e Clínicas.

– Tem sido um desafio maravilhoso. Por um momento, os pacientes se transportam para outro lugar, e a gente vai junto. Até esqueço que estou em casa – conta Marilia, que chega a visitar pelo celular 10 crianças em um mesmo dia.

Hoje com 56 voluntários, a ONG Doutorzinhos foi fundada em 2006, quando o empresário Mauricio Bagarollo, de Porto Alegre, decidiu levar adiante o sonho de imitar o filme Patch Adams – O Amor É Contagioso (1998).

– Passei anos fazendo cursos de teatro e palhaçaria, sempre pensando no poder que um nariz vermelho tem dentro de um hospital. Atualmente, nosso processo de formação é um dos mais longos e rigorosos do Terceiro Setor – afirma Mauricio, hoje aos 44 anos.

Para entrar na ONG, o candidato enfrenta uma seleção e, se passar, ainda encara 70 horas de treinamento. Um doutorzinho jamais pode faltar a uma visita marcada – também não há tolerância para atrasos de mais de 10 minutos.

– As pessoas precisam entender o compromisso de um trabalho em hospital – explica o fundador.

Marilia Fernandes virou a doutora-palhaça Miloca há sete anos, pouco depois de se aposentar. Aprendeu na formação uma série de jogos, piadas e perguntas como a que fez ontem para Valentina: o que que a banana falou para o tomate?

– Eu que tiro a roupa, e tu que fica vermelho! – foi a resposta certa da menina.

Miloca e Bem-Te-Vi aplaudiram, dançaram, e Valentina deu risada. Como é bom ter gente legal por perto.

Fonte: GaúchaZH

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