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Agência vendia cadastro para envio de Whatsapp na eleição de 2018

Página com oferta de dados de milhões de números de celular foi apagada durante campanha

A empresa de marketing Yacows oferecia em site a venda de cadastros com milhões de números de celular atrelados a CPFS, títulos de eleitor, perfil social e econômico para enviar disparos de mensagem de Whatsapp em campanhas eleitorais.

Segundo a legislação eleitoral, desde 2009 está proibida a venda de cadastros para uso em benefício de candidatos políticos, partidos ou coligações.

No entanto, a página da plataforma Bulk Services, pertencente à Yacows e que foi retirada do ar logo após matéria da Folha de São Paulo em 2018, anunciava como chamariz para a clientela “240 milhões de linhas de celular com perfil atrelado”, “100 milhões de títulos de eleitores”, “cruzamento de dados cadastrais com eleitorais”, “campanhas segmentadas por zona eleitoral” e “Dados geo-referenciados: Por estado, cidade e bairros”. A versão offline pode ser vista neste link: https://web.archive.org/web/20180909230259/http://eleicoes2018.bulkservices.com.br/

Com base em documentos e relato de ex-funcionário, a Folha de S.paulo revelou, em dezembro de 2018, que a Yacows e outras empresas faziam uso fraudulento de nome e CPF de idosos para registrar chips de celular e fazer o disparo de lotes de mensagens em benefício de políticos nas eleições daquele ano.

Para liberar o uso de um chip de celular, é necessário registrá-lo com nome e CPF. Uma vez que o Whatsapp bloqueia números que enviam grande volume de mensagens para barrar spam, as agências precisavam de chips suficientes para substituir os que fossem bloqueados e manter a operação.

A página da Bulk Services indica que a Yacows não apenas usava CPFS de terceiros para registrar seus chips, mas também oferecia a candidatos políticos bancos de dados com nomes ligados a CPFS, títulos de eleitor, perfil econômico e localização geográfica para envio das mensagens durante a campanha de 2018.

Em depoimento à CPMI das Fake News em 19 de fevereiro, um dos donos da agência, Lindolfo Alves Neto, negou que usasse CPFs de terceiros para registrar chips ou que usasse bancos de dados de terceiros.

A página obtida pela reportagem mostra que a plataforma ligada à Yacows vendia uma estratégia de campanha para cargos que iam de deputado a presidente, com personalização dos alvos das mensagens e cadastros de títulos.

Resposta

A reportagem procurou nas últimas semanas Lindolfo Alves Neto e sua irmã, Flavia, que são sócios da Yacows, por meio de sua defesa e pelo celular dela. No entanto, não obteve nenhuma resposta. Também enviou ao advogado José Caubi Diniz Junior, defensor de Lindolfo, imagem da página que mostra o anúncio do cadastro de CPFs, com questionamento sobre contradição a respeito do uso dos documentos de terceiros nos envios de mensagens. Porém também não obteve resposta.

*Fonte: Jornais “Agora” e “Folha de São Paulo”

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